05 jun 2013

A grama do vizinho é sempre mais verdinha…

Recebi um e-mail de uma leitora esta semana que me deixou intrigada. Ela se queixava de ter uma vida sem graça e me disse que enquanto vê coisas extraordinárias acontecendo com os outros, com ela é sempre mesmice. Sabe aquela história de que a grama do vizinho é sempre mais verde do que a nossa? Pura bobagem, colega! Não caia na ilusão de achar que sua vida é menos interessante e não acredite em pessoas que vendem a imagem de uma “vida perfeitinha”. No final das contas, todo mundo tem seus problemas e conflitos internos. Sabe o que muda? O que compartilhamos por aí, nas redes sociais! Você prefere contar que foi a uma festa incrível ou que ficou em casa depressiva porque o seu paquera te deu um pé na bunda? hahaha Aqui no blog acontece a mesma coisa: imagina o tédio que seria se eu só ficasse me lamentando?

Untitled-1Enquanto lia o email, lembrei de um texto de Martha Medeiros e vou compartilhar com vocês, é simplesmente fantástico e a mais pura realidade!

A grama do vizinho (Martha Medeiros)

“Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma.

Estamos todos no mesmo barco.

Há no ar certo queixume sem razões muito claras.

Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.

De onde vem isso? Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia:

“Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento”.

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente.

Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.

Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores.

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.

Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas, tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista.

As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.”

 

Show, né? O que pensam sobre o assunto?

Beijos,

Camila

*Um beijo para você que enviou o e-mail e espero que tenha gostado do post 😉

  • Dani

    Adorei Camila!
    É isso aí! Pra esse blog que trata sempre de beleza, a maior é aquela que vem de dentro!
    Um beijão e parabéns pelas postagens
    Dani Rondina

    • Oii Dani, muito obrigada!
      Que bom que está gostando…
      Beijãão 😉

  • Andrea Baggio

    Cá, adorei esse post!
    Sempre penso nisso naqueles dias tristes e incertos, penso que todos estamos no mesmo barco, porém cada um navega ao seu próprio modo: uns lidam com mais tranquilidade e outros são 8 ou 80 nas situações adversas, rs!
    E a leitora que diz “que a vida dela é sem graça”, não é, não! Não fique se baseando pelo que postam nas redes, nem tudo é o que parece ser! 😉
    Afinal, na grama verde sempre tem uma tiririca para estragar! kkkkkkkkk
    Bjãoooo (este post vai dar o que falar, abafa!)

    • hahahaha Adorei o “na grama verde sempre tem uma tiririca para estragar” kkkkkkkk pura verdade!

      Bjããoo ;***

  • Léo M.

    Enquanto estabelecermos nossos parâmetros de felicidade por comparação, nunca seremos felizes. Para mim, “felicidade”, ou “ser feliz” não existe – ninguém é 100% do tempo feliz, assim como não há 100% de dias ensolarados, da mesma maneira que não são todos os dias que chove. O importante mesmo é termos momentos felizes, fazermos a vida mais colorida, apreciar o belo, nos desprendermos de tudo e todos que não nos acrescenta nada.

    Caso você quem enviou o e-mail leia meu comentário, indico um livro que li e juro! foi um dos melhores e que mais me fez despertar para uma realidade “pé no chão” foi: “Oscar Wilde para inquietos” de Allan Percy. É uma leitura incrível e talvez possa te ajudar.

    • Arrasou, Leo! Concordo plenamente e adorei a indicação de livro, quero ler!
      Muito obrigada pelo comentário!!!

      ps: a leitora preferiu não se manifestar por aqui, mas me respondeu o e-mail e amou o post e os comentários!!! 😉

  • Renan

    Eu ea Ya estávamos esses tempos falando sobre “a grama do vizinho”, mas no sentido da beleza e não da felicidade e td mais. Falávamos que a grama do vizinho parece ser mais verdinha porque vc soh ve ela uma vez por semana e coincide q nesse dia ela está bem cortada, sem sujeiras e cheio de flores. Já a sua grama q vc ve todo dia, certamente vc verá ela mais vezes sujas e sem estar apresentável do que a do vizinho. Por isso a grama do vizinho aparenta sempre estar mais verde. Com a beleza ea felicidade do vizinho é a mesma coisa.

    PS: Apesar d q, o jardim do meu vizinho é maior e mais bonito q o meu, mas isso nao vem ao caso..kkkkkk

    vlw

    • Noossa, Renan, que massa! Adorei a linha de pensamento… concordo com vocês!!!
      Showwwww, mt bom!

      Bjss

  • Samanta Nogueira

    Gente esse casal (renan e yara) são o maximo mesmo né.. rsrs..
    E sobre o post, quem nunca se pegou naquela inveja branca do fds alheio? Mas é exatamente isso o nosso fds as vezes tambem pode parecer incrivel p/ outras pessoas, claro que nao temos dias de sol 365 dias né? Porque seria bem sem graça ate.. Mas todo mundo tem problemas, é como nos filmes de romance, parei pra pensar esses dias porque eu sempre ficava depre com tanto amor e carinho e dedicaçao nos filmes de romance (e o fato de serem filmes nao me convenciam) mas ai pensei que os filmes sempre acabam quando a historia começa, quando o casal consegue ficar juntos e ele nao continua depois num outro tema “a rotina de maria e joao”.. né? Por isso sao tao perfeitos..
    O importante é ter saúde e amor no coração que a felicidade vem nos visitar a cada tempo!

    beijos amiga adoro esse blog que interage com o problema de todo mundo =*